Exhibition
Tale of Two Cities, Part III: Invented Sea

Segundo Walter Benjamin, “o verdadeiro método para tornar as coisas presentes é imaginá-las no nosso espaço (e não imaginarmo-nos no seu espaço)”. A expressão artística exige que nos imaginemos no espaço dos outros, além de deixar que os outros habitem o nosso. É por meio dessa reciprocidade que nos podemos começar a sentir mais conectados neste mundo fragmentado.

 

Rampa

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9 de Agosto de 2022

18:00

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O projeto “Tales of Two Cities” (parafraseando o título do romance clássico de Charles Dickens) tem como objetivo contar várias histórias sobre as paisagens humanas de diferentes cidades e as perceções, políticas e culturas de quem as habita numa época de rápidas mudanças sociais. Desde 2013, o projeto gerou diálogos visuais contínuos entre Nova York, Pequim e Veneza.

 

“Invented Sea”, o terceiro capítulo do projeto, propõe um diálogo visual entre a artista portuguesa Vanessa Fernandes e a artista nova-iorquina Xin Song. Através de conversas e estudos recíprocos via zoom e e-mail, um diálogo entre as artistas tornou-se um diálogo entre as suas obras. As artistas começaram a explorar como a arte contemporânea pode ser ampliada e transformada através do contacto com diferentes culturas e tradições; como o seu trabalho pode ser expandido e potenciado por esse tipo de encontros, e como a expressão visual pode ser um meio de acesso a um desejo inato de abraçar a incerteza.

 

“Invented Sea” é um poema do poeta franco-angolano Matamba Joaquim. O poema é recitado no vídeo com o mesmo título que foi criado por Fernandes para este projeto. Nesse vídeo, um tabuleiro de xadrez é o quadro dentro do qual as peças de xadrez e os materiais orgânicos e artificiais são manipulados e configurados. O poema e o vídeo aludem ao interesse de Fernandes por “histórias que evocam sensibilidades em torno do mundo… da mente, do corpo e das emoções”. Vanessa Fernandes nasceu na Guiné-Bissau e viveu em Paris, Macau, Porto e Alemanha. A sua experiência nessa diversidade cultural influenciou profundamente sua visão artística e, segundo Fernandes, a câmara tornou-se a sua própria linguagem.

 

Xin Song nasceu em Pequim, vive e trabalha em Nova York. Song é mestre da técnica do papel chinês, utilizando capacidades consagradas pelo tempo para criar obras escultóricas contemporâneas e visionárias. Enquanto crescia em Pequim, Song foi introduzida à antiga tradição popular chinesa de corte de papel. Com o tempo, ela tornou-se mestre nesta prática. Ao redirecionar imagens de fontes não conectadas, Song combina e remodela mensagens do mundo. Xin Song utiliza materiais reunidos durante a sua residência na RAMPA para criar obras site-specific.

 

Fernandes e Song vão criar uma instalação colaborativa, na qual os vídeos de Fernandes serão projetados de forma interativa sobre as superfícies de papel recortado de Song. Os vídeos são uma documentação da exploração das duas artistas pelo norte de Portugal descobrindo a arte artesanal tradicional e de rua. À medida que procuramos caminhos neste contexto pós-pandémico, e quando os movimentos de justiça social nos convocam a ouvir outras vozes, questionamos o que a arte pode ou deve fazer? Os trabalhos de Fernandes e Song oferecem uma perspetiva criativa e autêntica.

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